5 anos sem LG: por que os celulares fazem falta
Faz cinco anos que a LG confirmou sua saída do mercado de celulares, e a ausência da marca ainda pesa no setor mobile. Não por nostalgia vazia, mas porque a empresa ocupava um espaço raro: o de arriscar em design, formato e recursos quando boa parte da indústria já seguia um caminho mais previsível.
Por que a saída da LG ainda importa

A decisão foi oficializada em 5 de abril de 2021, embora a produção tenha seguido por mais algumas semanas. Na época, a LG prometeu manter atualizações para os modelos finais e, em parte, cumpriu: o LG Wing, lançado com Android 10, chegou ao Android 13 em 2023. Para uma empresa que já havia encerrado a divisão, esse suporte foi mais sólido do que muita gente esperava.
O ponto central, porém, não é só o pós-venda. A saída da LG reduziu a variedade real no mercado. Em um segmento dominado por poucas fórmulas, a marca sul-coreana funcionava como laboratório. Nem sempre acertava, mas tentava caminhos que outras fabricantes evitavam.
Esse papel faz falta hoje. O mercado atual evoluiu em câmera, tela e desempenho, mas ficou mais conservador em identidade. Muitos aparelhos são tecnicamente melhores do que os antigos LG, só que menos distintos.
Os celulares LG erravam bastante, mas tentavam algo novo
A LG teve problemas conhecidos. Houve gerações criticadas por bateria, aquecimento, software inconsistente e decisões que não ganharam escala. Ainda assim, a empresa construiu uma linha de produtos que fugia do padrão.
O LG G2, por exemplo, apostou nos botões traseiros quando quase ninguém fazia isso. O G3 popularizou tela QHD antes de virar tendência. O V10 e o V20 investiram em segunda tela, áudio avançado e proposta mais multimídia. Já o Wing levou a ousadia ao limite com a tela giratória, criando um formato que claramente não era de massa, mas mostrava disposição para experimentar.
Na prática, isso significava algo importante para o consumidor: havia escolha para quem queria um celular diferente sem sair do ecossistema Android tradicional. Hoje, essa margem encolheu. Mesmo dobráveis e modelos “ultra” costumam seguir uma lógica mais segura de mercado.
O que a LG fazia melhor do que parece na memória
Parte da saudade vem de recursos que a LG tratava como prioridade antes de eles perderem espaço. O áudio é o melhor exemplo. Em vários modelos da linha V, a empresa apostou em DAC dedicado e saída de som pensada para quem usava fones com fio de melhor qualidade. Isso não era detalhe de ficha técnica: no uso real, entregava mais potência, mais controle e uma experiência superior para música e vídeo.
A LG também explorou bem telas grandes em uma fase em que o mercado ainda buscava equilíbrio entre ergonomia e consumo de mídia. Além disso, costumava oferecer funções de câmera e vídeo com controles manuais que agradavam usuários mais avançados, sem exigir um aparelho de nicho extremo.
Nem tudo envelheceu bem, claro. A interface da marca dividia opiniões, e alguns conceitos pareciam mais interessantes na apresentação do que no cotidiano. Mesmo assim, havia personalidade. E personalidade virou item raro no mobile premium e intermediário.
O mercado ficou mais eficiente e menos diverso
Sem a LG, o setor não parou de evoluir. Samsung, Apple, Xiaomi, Motorola e outras marcas ocuparam o espaço comercial com mais escala e, em muitos casos, execução melhor. O problema é que eficiência não substitui diversidade.
Quando uma fabricante com histórico de experimentação sai de cena, o efeito não aparece só nas vendas. Ele aparece no ritmo da inovação visível ao usuário. A concorrência continua forte em processador, IA, câmera computacional e recarga, mas menos aberta a ideias estranhas que poderiam virar tendência depois.
Foi assim com várias apostas da própria LG. Algumas fracassaram. Outras anteciparam usos que mais tarde seriam absorvidos de outro jeito pelo mercado. Esse tipo de risco ajuda a empurrar a indústria. Sem ele, a evolução fica mais incremental.
O legado da LG nos celulares ainda resiste
O fim da divisão mobile não apagou o legado da marca. Modelos como G2, G3, V20 e Wing seguem lembrados porque representavam algo além de especificações: mostravam uma fabricante tentando se diferenciar em um mercado que já caminhava para a padronização.
Também pesa o fato de a LG ter saído sem desaparecer de imediato do suporte, o que preservou parte da boa vontade de usuários antigos. Isso ajudou a consolidar a percepção de que a marca deixou o setor cedo demais, justamente quando formatos alternativos e novas categorias começavam a ganhar tração.
Hoje, olhar para trás não é só exercício de memória. É um jeito de medir o que o mercado perdeu quando uma empresa grande, imperfeita e ousada deixou de disputar atenção no bolso do consumidor. Cinco anos depois, os celulares LG ainda fazem falta porque representavam uma coisa simples e cada vez mais escassa: a chance de ver algo realmente diferente.
Para quem acompanha o setor, a lembrança também serve de referência histórica. O anúncio original da saída foi tratado pela própria empresa em comunicado oficial, e a repercussão segue viva em veículos especializados como o GSMArena. O resultado é um consenso difícil de ignorar: a LG não era a marca mais estável do mercado, mas era uma das poucas que ainda sabiam surpreender.




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